domingo, 16 de outubro de 2016

Professor é gente; e gente que pensa.

Mais um ano, mais reflexões sobre a prática docente. Às vezes fico cansativo, repetitivo, até chato com a mesma história. Mas talvez seja a lida diária na sala de aula que me leva a esta repetição. Pois quantas vezes for necessário, repito conteúdo, retomo conceitos, releio a avaliação etc.

Ser professor, exercer a docência pode parecer fácil para quem nunca o fez. O discurso de duas férias por ano, dos feriados, do ganhar muito (SIC)  é coisa de quem nunca esteve em uma sala de aula (mesmo a sala virtual).

Cada pessoa que está diante de um professor espera algo. Espera uma atenção diferenciada, um sinal de positividade, espera sentir-se valorizado. Imagine 8 turmas com 50 estudantes cada. São 400 olhares diferenciados, e  expectativas múltiplas. Realmente é muito fácil ser professor.

Tão fácil que o "notório saber" poderá exercer a profissão. Então para quê a licenciatura, as leituras sobre avaliação, didática, educação inclusiva. Basta dominar algumas coisas e entrar em sala. É fácil. Não ha mistério. Ledo engano!

Quem acompanhou a trajetória de uma educadora preparando material, estudando horas para capacitar professores, sabe que ser professor não é só conteúdo. É também dedicação; é compromisso com um projeto de vida que inclui outras vidas.

E aqui não sou romântico, não falo de paixão ou vocação. Falo de consciência, práxis. De ações que transformam realidades. Ser professor é ser consciente que é agente de transformação. Por isso nunca haverá educação não ideológica. Toda ela transforma, não só informa.

Confesso que muita coisa mudou, desde o inicio da minha caminhada docente. Mudou graças à luta consciente de parceiros e parceiras da caminhada pedagógica. Gente consciente, que transformou a realidade da profissão.

Mas, há outro tipo de gente, os não docentes, nem decentes. Que vêm educação como negócio, e que  foca em indicadores. Produção, índices, mercado. E em cima destes indicadores avalia-se docentes decentes. E como não se mede a práxis, a consciência, nem as transformações que vidas obtiveram, o docente é descartado, comparado ha uma peça que pode ser trocada. Basta também saber para substituir este professor.

Acompanhei as mudanças destas anos na educação. Fiz parte dela. Sou parte dela. Mas não serei parte desta desconstrução. Resistirei o quanto puder, e como puder. Educação não é mercado, professor não é uma peça, pessoas não são números ou indicadores. Somos gente que participa da vida de gente. Gente que constrói conhecimento para que gente conheça. Gente que se capacita para melhor capacitar gente.

Sou professor por opção, por formação. Se há paixão? Sim. Mas uma paixão que me impulsiona a continuar fazer o que faço, que me faz consciente de que ser professor é ser gente.

Zé Rominho
Simplesmente Professor.

Um comentário:

patricia silva disse...

Muito boa sua reflexão Romulo. Acredito que você conseguiu expressar todo o sentimento de um professor que acredita em futuro transformador. PARABÉNS meu amigo.