segunda-feira, 18 de abril de 2016

Envergonhado, Triste e Decepcionado.


Acordei hoje com vergonha, decepcionado, triste até. Passei todo este tempo sem me pronunciar nas redes sociais por entender que meu espaço de discussão de ideias é outro. Respeitando opiniões alheias, sem entrar em debate, seja com parentes, amigos, irmãos de fé, alunos e colegas de trabalho. Respeitando e esperando ser respeitado. O debate das redes sociais não há “olho no olho”, e há muita agressão gratuita.

Mas como sempre usei meu Blog para expressar minhas ideias e sentimentos, mas uma vez me pronunciarei por aqui. Correndo o risco de perder seguidores. Pois amigos respeitam amigos.

Comecei este texto falando de vergonha, decepção e tristeza.

Sou de uma terra que em seu hino, que cantei com muito orgulho no passado diz: “Nova Roma de bravos guerreiros. Pernambuco imortal! Imortal!”. Sempre pensei nos novos guerreiros: Miguel Arraes, Wilson Porto, Mario Wilson, Marcos Freire, Giovanni Porto, Paulo Freire, Edna Porto, Iracema Alves... Heróis pernambucanos na minha pequena visão de criança e adolescente.

Mas senti vergonha de ver meu Estado natal não ter mais “bravos guerreiros”, e sim “grandes  traidores”. Uma “velha Roma de grandes traidores” seria mais legitima a letra de nosso hino hoje. Meus heróis, os que já se foram, me orgulham, e os que estão me inspiram. Mas os deputados pernambucanos me envergonham.

Na Bahia, que me deu “régua e compasso”, a sua maioria honrou seu hino: “Nunca mais, nunca mais o despotismo; Regerá, regerá nossas ações. Com tiranos não combinam brasileiros, brasileiros corações”. Sim, vi coragem vencer o medo nos deputados bahianos (com h mesmo).

Mas fiquei também decepcionado com aqueles que se autodeclaram: evangélicos. Declaro aqui: NÃO SOU EVANGÉLICO! Não este padrão de evangélico que se alia a elite brasileira. Não evangélico que se alia a tortura e exploração do trabalho infantil, não sou evangélico que não respeita o direito das mulheres e que não respeita as diferenças. Por isso sempre respondi que sou protestante reformado (isso é assunto para outro post).

Triste com as pessoas que estão felizes com a situação que vivemos. Triste porque tem evangélico orando pela restauração da elite no poder, e pedindo a Deus para tirar quem legitimamente chegou lá. Meu voto foi legítimo. Triste por orações que pedem o caos. Triste por ver um país dividido.

Não sou profeta, nem filho de profeta. Sou um professor que sonha com um país justo. Que começou a ver esta justiça acontecer no processo de democratização da educação. Na contramão de muitos colegas que reclamavam do nível dos alunos;  eu mesmo sempre coloquei a dificuldade que muitos têm. Mas acredito em superações. O desenvolvimento e valorização do outro só é possível quando se dá oportunidade. Políticas sociais em educação geraram oportunidades. Sinto que isso pode acabar. Visualizo um ensino superior público com vagas restritas. Onde o engodo da meritocracia será à base de discursos e políticas. E um ensino privado mais mercadológico do que já é. Mas profetizo, afirmando que a luta por um país justo, fraterno, menos desigual continua.

Acordei mais triste! Mas sempre com esperança!

Por isso continuo sonhador, continuarei no meu espaço de reflexão sonhando. Sendo utópico  (“Só os utópicos podem ser profetas”, dizia Paulo Freire.), e acreditando que podemos ser mais justos, não desistirei de lutar por liberdade e igualdade, contra a desigualdade imposta pelas elites.

Aos que se decepcionaram comigo, quero dizer que decepção não significa desistência. Talvez resistência. Continuarei resistindo. 

Continuo sonhando, pelo menos isso por enquanto, não pode ser usurpado.


@Zerominho

3 comentários:

CLÉO ALVES disse...

Orgulhosa demais em um dia ter sido sua aluna,também continuo sonhando. Beijos professor.

CLÉO ALVES disse...

Orgulhosa demais em um dia ter sido sua aluna,também continuo sonhando. Beijos professor.

Alexandre Rosier disse...

Professor, tinha absoluta certeza que encontraria um blog com reflexões e ideias bastante lúcidas. É um prazer ser seu aluno.