Hoje é o dia da professora e do professor. Quero agradecer a todos vocês, colegas de docência, por serem também meus professores.
Aprendo com vocês diariamente.
Sei que em tempos de patrulhamento ideológico, de sobrecarga de trabalho, de aumento do desinteresse por parte dos nossos interlocutores e de descaso das autoridades estatais com a educação, nós ainda estamos aqui.
Aqui na escola, na sala de aula, no grupo de pesquisa, nos congressos e nos bancos das universidades nos capacitando mais para melhor fazer o que sabemos fazer: construir conhecimento com o outro; partilhar descobertas; orientar caminhos acadêmicos.
Parabéns para todos nós. Pela dedicação, compromisso, e determinação de fazer um mundo melhor para se viver.
Que Deus continue a nos abençoar nesta árdua, mas maravilhosa ação que é a docência.
Bom domingo a todas e todos.
Rômulo
@ZeRominho
domingo, 15 de outubro de 2017
domingo, 13 de agosto de 2017
SER PAI: UM DESAFIO
Penso hoje o significado de ser pai. Não entendia muito
o que isso significava há alguns anos. Tinha raiva do meu pai por alguns dos
seus atos, que julgava não serem “paternos”.
Quando me tornei pai, foi um sonho: cuidar de um ser
tão pequeno, ser responsável pelo desenvolvimento de uma criatura tão frágil.
Pensei em histórias que contaria, em lugares que conheceríamos juntos, nas
horas de brincadeiras juntos. Um sonho. Acreditei realmente que aquilo seria
para toda a vida. Não dimensionei o tempo, não previ perdas, não imaginei
desencontros. Apenas sonhei.
O tempo passou. Filhos adultos, cada um em seu lugar,
com suas histórias, com seus próprios sonhos. Não foi para sempre aquele
momento. Não há mais o mesmo tempo para brincadeiras, para histórias, para
estar junto. O tempo deles é outro. Como foi o meu com o do meu Pai. Vejo hoje que
não foi só ele que ia ficando mais distante, eu fui mesmo me distanciei. Meus
sonhos e projetos eram outros. Na época não entendi. Via apenas de um lado.
Hoje começo a compreender.
Então, com mais idade, pergunto de novo o que é ser
pai. Sem as mesmas expectativas dos 25 anos. O que é realmente estar nesta
condição?
Mil coisas me vêm à mente. Vêm histórias vividas (como
filho e pai), vem decepções, alegrias, sonhos realizados e frustrados. Mas uma
palavra e sentimento persiste: cuidado.
Nesta palavra há uma série de elementos que me remetem
a paternidade. Cuidado com aquela criança frágil, que precisa de atenção
dobrada, de presença, de ação rápida quando está doente, de recursos
financeiros para suprir as necessidades. Ser pai é cuidar dos pequeninos com
apreensão e alegria.
Mas também cuidado no que se refere a estar
acompanhando sua vida escolar, de saber quem são seus amigos, de ficar acordado
ajudando nas tarefas escolares, ou acompanhando em um hospital. Cuidado é
mostrar que está presente sempre. É se fazer sentido, sem muitas vezes estar visível,
pois as vezes estamos longe.
Cuidado é mostrar o caminho que devem seguir, ensinar
as Escrituras, orar por eles e com eles. Mesmo que eles não demonstrem interesse
ou por um tempo neguem a fé. Cuidar é não desistir. É crer que filhos são
herança, e a promessa é para toda a família.
Cuidado é depois que os caminhos trilhados por eles não
são mais os nossos, continuar presente. Pronto para qualquer coisa. Do mesmo
jeito que fazíamos quando eram crianças.
Cuidar é também se deixar cuidar por eles. Pois haverá
um tempo em que serão eles que vão de alguma forma cuidar de nós. Seremos nós
que exigiremos atenção, presença.
Assim, entendo que ser pai é ser cuidador.
Que Deus o Pai, cuidador de todos nós, me permita como
pai que sou de três maravilhosos filhos, continuar cuidando de cada um deles na
sua especificidade. E amanhã quando necessário for, ser cuidado por eles. A
experiência da paternidade me fez com certeza rever muitos dos meus conceitos.
Amo minhas filhas. Amo meu filho. Amo meu pai.
Zé Rominho
13 de agosto 2017
sexta-feira, 30 de junho de 2017
A maioridade de uma filha
Hoje uma criança deixa a menoridade para alcançar a tão sonhada por todos nós maioridade. Este é um desejo humano. Chegar o dia em que podemos fazer as coisas sem “dar satisfação”; sair e chegar a qualquer hora; viajar sem autorização; assistir o filme que desejar (na minha época então...). Ser maior de idade! Que Maravilha!
Mas para quem estar do outro lado, não é bem assim. Os pais ficam confusos. “Meu Bebê”; “minha criança”, “minha filhinha/meu filhinho”. Aumentam nossas preocupações. “Há um ano estavam aqui, na praia conosco, hoje podem ir viajar com amigas e amigos, e não sabemos o que fazem”. Controlávamos há três anos o que comiam: “você não pode isso, é alérgico”, “não coma isso faz mal”, “coma cenoura é bom para o cabelo...” Neste instante não sabemos onde estão, com quem, fazendo o quê. E o pior, comendo o quê.
Não é a primeira vez que passo isso. Com os dois primeiros tive a mesma sensação. Mas como sempre tinha um em casa, pensava: ainda tenho quem cuidar. Agora olho para o quarto e vejo que o bebê cresceu.
Sentimento de alegria, pois se percebe que uma etapa foi concluída: conseguimos, com toda a dificuldade, entregamos hoje a sociedade um adulto; com base sólida para ser agente de mudança, sujeito capaz de lutar por direitos sociais e também individuais. Alguém que vai contribuir para um mundo melhor. Feliz, porque demos a este Bebê, que hoje se torna adulto, formação bíblica, que permite perceber que o Deus Soberano é Deus de graça e amor, e que nunca o vai abandonar.
Mas também um sentimento de medo. Com tudo que demos, será que ao virar da esquina algo pode acontecer. Se nossas mudanças, nossas incertezas, dúvidas, questionamentos deixaram marcas não tão boas assim. Será que nas praias, noites, universidades à fora, nossa criança vai lembrar-se das orientações que demos. Lembrar-se-á do que ensinamos?
Gente, que sentimento é esse? Certeza e incerteza, segurança e medo, alegria e tristeza.
A verdade é que nossa filha faz hoje 18 anos. Linda, inteligente, dengosa, charmosa, consciente de seu papel no mundo. Indecisa, sim, todos são. Com seus medos, como somos; questionadora, como aprendeu a ser; amiga, como foi tratada.
Seu nome foi pensado. Nome de personagem bíblico, de extrema importância na vida da igreja que se iniciava na Europa. Mulher que acolhe pessoas, que questiona, é trabalhadora, mas também que é imigrante; era da Ásia, e havia se estabelecido em Filipos para trabalhar. Mulher que conhece sua origem, e não desampara os que vêm de fora: Lídia. Este nome foi pensado, porque assim nós queríamos que nossa filha chegasse: cheia de possibilidades, com um papel importante na história de pessoas. Nome que caiu feito uma luva nesta menina que hoje é adulta, mulher.
Nosso desejo neste dia, é que a maioridade seja mais que um ato jurídico. Seja de fato uma condição. Condição de saber tomar as decisões usando sua capacidade de ser humana. Ser de Razão, ser pensante. Saber ponderar, baseado nos conhecimento previamente adquiridos. Nas experiências vividas e observadas, para que assim, possa não se deixar levar por ideias, sentimentos, conceitos que podem gerar confusão, desrespeito, indignação, frustração, dor, perdas irreparáveis.
Maioridade é condição. Condição de ser pensante. Para isso Deus nos criou. Para pensar, para sermos criativos, e cuidadores. Cuidarmos uns dos outros, de nós mesmos, da natureza. Sermos maiores significa, agirmos como seres humanos. Penso que estas coisas nós ensinamos a nosso Bebê.
Siga filha, siga com sonhos, projetos, desejos. Amamos-te. Sabemos que o quê você aprendeu e tem aprendido pode não ser o suficiente para todas as decisões que tem de tomar. Mas temos certeza que é um ponto de partida.
No dia que soubemos de sua existência, oramos e pedimos bênçãos sobre sua vida, no dia de seu nascimento, agradecemos pela vida e pedimos a Deus cuidado sobre você e sabedoria para ajudarmos no seu desenvolvimento como pessoa. No seu batismo, nos comprometemos a ensinar as Sagradas Letras, a orar com você e por você. Continuamos sempre com este compromisso.
Não estaremos toda a vida com você, mas o Pai Celeste sim. Ele jamais te deixará.
Parabéns pela vida, pela maioridade. Obrigado por nos fazer pais felizes.
Beijos,
Seus Pais
Jailza (Tula) e Rômulo (Zé Rominho)
domingo, 16 de outubro de 2016
Professor é gente; e gente que pensa.
Mais um ano, mais reflexões sobre a prática docente. Às vezes fico cansativo, repetitivo, até chato com a mesma história. Mas talvez seja a lida diária na sala de aula que me leva a esta repetição. Pois quantas vezes for necessário, repito conteúdo, retomo conceitos, releio a avaliação etc.
Ser professor, exercer a docência pode parecer fácil para quem nunca o fez. O discurso de duas férias por ano, dos feriados, do ganhar muito (SIC) é coisa de quem nunca esteve em uma sala de aula (mesmo a sala virtual).
Cada pessoa que está diante de um professor espera algo. Espera uma atenção diferenciada, um sinal de positividade, espera sentir-se valorizado. Imagine 8 turmas com 50 estudantes cada. São 400 olhares diferenciados, e expectativas múltiplas. Realmente é muito fácil ser professor.
Tão fácil que o "notório saber" poderá exercer a profissão. Então para quê a licenciatura, as leituras sobre avaliação, didática, educação inclusiva. Basta dominar algumas coisas e entrar em sala. É fácil. Não ha mistério. Ledo engano!
Quem acompanhou a trajetória de uma educadora preparando material, estudando horas para capacitar professores, sabe que ser professor não é só conteúdo. É também dedicação; é compromisso com um projeto de vida que inclui outras vidas.
E aqui não sou romântico, não falo de paixão ou vocação. Falo de consciência, práxis. De ações que transformam realidades. Ser professor é ser consciente que é agente de transformação. Por isso nunca haverá educação não ideológica. Toda ela transforma, não só informa.
Confesso que muita coisa mudou, desde o inicio da minha caminhada docente. Mudou graças à luta consciente de parceiros e parceiras da caminhada pedagógica. Gente consciente, que transformou a realidade da profissão.
Mas, há outro tipo de gente, os não docentes, nem decentes. Que vêm educação como negócio, e que foca em indicadores. Produção, índices, mercado. E em cima destes indicadores avalia-se docentes decentes. E como não se mede a práxis, a consciência, nem as transformações que vidas obtiveram, o docente é descartado, comparado ha uma peça que pode ser trocada. Basta também saber para substituir este professor.
Acompanhei as mudanças destas anos na educação. Fiz parte dela. Sou parte dela. Mas não serei parte desta desconstrução. Resistirei o quanto puder, e como puder. Educação não é mercado, professor não é uma peça, pessoas não são números ou indicadores. Somos gente que participa da vida de gente. Gente que constrói conhecimento para que gente conheça. Gente que se capacita para melhor capacitar gente.
Sou professor por opção, por formação. Se há paixão? Sim. Mas uma paixão que me impulsiona a continuar fazer o que faço, que me faz consciente de que ser professor é ser gente.
Zé Rominho
Simplesmente Professor.
Ser professor, exercer a docência pode parecer fácil para quem nunca o fez. O discurso de duas férias por ano, dos feriados, do ganhar muito (SIC) é coisa de quem nunca esteve em uma sala de aula (mesmo a sala virtual).
Cada pessoa que está diante de um professor espera algo. Espera uma atenção diferenciada, um sinal de positividade, espera sentir-se valorizado. Imagine 8 turmas com 50 estudantes cada. São 400 olhares diferenciados, e expectativas múltiplas. Realmente é muito fácil ser professor.
Tão fácil que o "notório saber" poderá exercer a profissão. Então para quê a licenciatura, as leituras sobre avaliação, didática, educação inclusiva. Basta dominar algumas coisas e entrar em sala. É fácil. Não ha mistério. Ledo engano!
Quem acompanhou a trajetória de uma educadora preparando material, estudando horas para capacitar professores, sabe que ser professor não é só conteúdo. É também dedicação; é compromisso com um projeto de vida que inclui outras vidas.
E aqui não sou romântico, não falo de paixão ou vocação. Falo de consciência, práxis. De ações que transformam realidades. Ser professor é ser consciente que é agente de transformação. Por isso nunca haverá educação não ideológica. Toda ela transforma, não só informa.
Confesso que muita coisa mudou, desde o inicio da minha caminhada docente. Mudou graças à luta consciente de parceiros e parceiras da caminhada pedagógica. Gente consciente, que transformou a realidade da profissão.
Mas, há outro tipo de gente, os não docentes, nem decentes. Que vêm educação como negócio, e que foca em indicadores. Produção, índices, mercado. E em cima destes indicadores avalia-se docentes decentes. E como não se mede a práxis, a consciência, nem as transformações que vidas obtiveram, o docente é descartado, comparado ha uma peça que pode ser trocada. Basta também saber para substituir este professor.
Acompanhei as mudanças destas anos na educação. Fiz parte dela. Sou parte dela. Mas não serei parte desta desconstrução. Resistirei o quanto puder, e como puder. Educação não é mercado, professor não é uma peça, pessoas não são números ou indicadores. Somos gente que participa da vida de gente. Gente que constrói conhecimento para que gente conheça. Gente que se capacita para melhor capacitar gente.
Sou professor por opção, por formação. Se há paixão? Sim. Mas uma paixão que me impulsiona a continuar fazer o que faço, que me faz consciente de que ser professor é ser gente.
Zé Rominho
Simplesmente Professor.
domingo, 14 de agosto de 2016
PAI E ESPOSO
Hoje celebramos o dia dos pais. Sei que uma reflexão hoje
deveria focar a importância do ser Pai, salientar suas qualidades e valores,
mas vou me dar a liberdade de refletir sobre duas condições que vivo:
a de Pai e a de Esposo.
São temas instigantes. Pensar em ser esposo e em ser Pai.
Antes de mais nada é preciso que se diga que são duas coisas diferentes, com
funções diferentes. Uma coisa independe da outra. Andam juntas muitas vezes,
mas nem sempre. Há esposos que não são pais, e pais que não são esposos. Logo,
na realidade posta pela sociedade em que cada um está inserido, estas duas
funções são independentes, e têm focos diferenciados.
Com esta questão posta, tal como os gregos faziam, é
necessário conceituar, definir estes dois termos. Então, seguindo este
princípio, vejamos:
I ESPOSO
Esposo é antes de qualquer coisa ser PESSOA. Ser
humano. Alguém com desejos, vontades, sentimentos. Que também se angustia, que
também tem momentos de fraqueza. E isso é afirmado aqui para desmistificar a
ideia que SER ESPOSO é ser o maioral, o maior, o que nunca erra, logo, não pode
ser questionado, ou desobedecido.
Ser esposo é ser servo. É está sempre pronto para
cuidar, para dedicar-se, para se DAR ao outro. E isso é dito para que se elimine
qualquer ideia de que ser esposo é ser servido, ser cuidado, ser atendido em
suas decisões e determinações.
Ser esposo é ser igual a sua parceira. É ser um a só
carne com ela. É amá-la como ao seu próprio corpo. E não agir como se a mulher
não fosse uma parceira, fosse uma serva. Isso é dito para que se elimine a
ideia de que a mulher, a qual se escolheu para esposa é diferente do marido, de
uma outra essência.
II PAI
Seguindo a mesma linha de raciocínio, Pai também é uma PESSOA. Não é um
super-homem, mesmo que as imagens do dia o tragam como tal. Sofremos, temos
dores, decepções, fraquejamos. Vejamos o conceito de Pai usando o
texto sagrado de Gênesis
22: 1-14.
Lembram da propaganda do
gelol: tem que participar ?
Quando olho
para a Bíblia vejo algumas coisas que realmente me chamam atenção. Entre elas
como era a relação de pais e filhos. Os filhos de Jó eram diferentes de seu
pai, e era ele quem intercedia por eles. Também os filhos de Eli. Já Salomão
andou nos caminhos de Davi seu Pai. José o filho de Jacó, não esqueceu de
quando estava como Governador do Egito de dar o de melhor para o seu Pai. Mas
teve filhos que não andaram no exemplo dos pais, e teve pais que não foram nem
de longe exemplo para seus filhos. Como a Bíblia me encanta!
São muitos
exemplos de relacionamento. Vamos olhar para um destes exemplos: ABRAÃO E ISAAC.
Lembremos um
pouco da História: filho da velhice, prometido, promessa de herança,
benção prosperidade – uma grande nação.
Aí DEUS PEDE SEU FILHO EM SACRIFÍCIO.
Vamos perceber
como se deu este desenrolar da história e o que Deus tem a nos ensinar:
A saída para o sacrifício mostra que eles já
eram acostumados a saírem para sacrificarem juntos: COMPANHEIRISMO.
O que nos revela este texto é que Abraão, mesmo na sua velhice,
ENSINOU O CAMINHO A
SEU FILHO ISAAC. Sair para sacrificar significava: Estar junto, Passear junto,
Partilhar a fé.
Isaac sentiu
falta do cordeiro: ONDE ESTÁ? – isto implica em: DIÁLOGO. O andar junto abriu a
possibilidade do compartilhar, do questionar, do dizer o que pensa.
Abraão responde – DEUS PROVERÁ
– Isaac, ouve e CONFIA.
Uma relação de companheirismo e diálogo leva a confiança . Dizer a verdade .
ASSIM SER PAI É: SER COMPANHEIRO, DIALOGAR (ESTÁ PRONTO PARA
FALAR E OUVIR), É ENSINAR UM CAMINHO, É SER CONFIÁVEL.
Bem gente, depois de conceituar estes termos, e mostrar que
Pai e Esposo são funções diferentes, isso não quer dizer que sejam funções opostas,
ou não concomitantes. São funções que têm “público alvo” diferenciado, mas que
buscam a mesma coisa: SERVIR AO OUTRO.
Neste dia dos Pais, possamos repensar nossa condição, e como
servos de Cristo possamos SERVIR nossos filhos e esposas. Como: CUIDANDO DELES,
mas também se deixando ser cuidado por eles; OS AMANDO; ESTANDO AO LADO; SENDO
PARCEIROS.
A todos nós, aos pais e aos esposos, aprendamos com Jesus a
cuidar, amar e servir.
Que Deus nos abençoe!
Zé Rominho.
14/08/2016
quinta-feira, 30 de junho de 2016
POR QUE LIDIA?
-
Escolher o nome de uma filha é uma grande responsabilidade. Este será levado
por toda uma existência. Daí a importância de se escolher com cuidado.
Quando eu e Jailza pensamos no
nome do bebê, queríamos muito mais do que um nome a ser chamado, mas também
representasse algo maior. Que de alguma forma trouxesse um pouco da
personalidade de quem viria ao mundo muito amado e querido. Pensamos em alguns
nomes, e escolhemos LÍDIA. para a menina
que iria nascer.
- Lídia é um nome de origem
grega e era a denominação das pessoas que nasciam na região da Lídia (antiga
região da Ásia Menor, na costa ocidental, perto do Mar Egeu).
- No Novo Testamento este nome
foi atribuído a uma mulher, líder de um grupo de mulheres oriundas da cidade de
Tiatira, todas tementes a Deus e que pararam para ouvir a mensagem propagada
pelo Apóstolo Paulo na cidade de Filipos (região da Macedônia), conforme está
relatado em Atos 16, 9-40.
Lídia era muito mais do que uma
simples vendedora de púrpura. Era uma líder. Numa sociedade marcadamente
sexista (os gregos colocavam a mulher num patamar inferior aos
homens).Coordenar um grupo de mulheres trabalhadoras e que tinham aspirações
próprias (eram tementes a Deus) era um desafio. Lídia era uma mulher forte e
ousada. Ela convida Paulo e seus companheiros para se hospedar em sua casa.
Isto indica sua chefia, sua liderança: é a casa de Lídia!
Quando refletimos na história
desta mulher cristã, forte, decidida, líder sonhamos com nossa filha. Assim
oramos e pedimos que o Senhor permitisse que nossa Lídia fosse forte, serva do
Senhor, determinada e comprometida.
Deus tem ouvido nossa oração!
Mas que um nome, Lídia é uma
profecia, uma promessa. A filha da promessa, amada desde sua fecundação,
desejada por mim e Jailza, e que com todas nossas falhas, procuramos ensinar o
caminho que ela deve andar.
Somos gratos ao Pai Eterno por
ter nos concedido esta grande bênção: Lídia.
segunda-feira, 18 de abril de 2016
Envergonhado, Triste e Decepcionado.
Acordei hoje com vergonha, decepcionado, triste até.
Passei todo este tempo sem me pronunciar nas redes sociais por entender que meu
espaço de discussão de ideias é outro. Respeitando opiniões alheias, sem entrar em debate, seja
com parentes, amigos, irmãos de fé, alunos e colegas de trabalho. Respeitando e
esperando ser respeitado. O debate das redes sociais não há “olho no olho”, e
há muita agressão gratuita.
Mas como sempre usei meu Blog para expressar minhas
ideias e sentimentos, mas uma vez me pronunciarei por aqui. Correndo o risco de
perder seguidores. Pois amigos respeitam amigos.
Comecei este texto falando de vergonha, decepção
e tristeza.
Sou de uma terra que em seu hino, que cantei com muito
orgulho no passado diz: “Nova Roma de bravos guerreiros. Pernambuco imortal!
Imortal!”. Sempre pensei nos novos guerreiros: Miguel Arraes, Wilson Porto,
Mario Wilson, Marcos Freire, Giovanni Porto, Paulo Freire, Edna Porto, Iracema
Alves... Heróis pernambucanos na minha pequena visão de criança e adolescente.
Mas senti vergonha de ver meu Estado natal não ter mais “bravos
guerreiros”, e sim “grandes traidores”.
Uma “velha Roma de grandes traidores” seria mais legitima a letra de nosso hino
hoje. Meus heróis, os que já se foram, me orgulham, e os que estão me inspiram.
Mas os deputados pernambucanos me envergonham.
Na Bahia, que me deu “régua e compasso”, a sua maioria
honrou seu hino: “Nunca mais, nunca mais o
despotismo; Regerá, regerá nossas ações. Com tiranos não combinam
brasileiros, brasileiros corações”. Sim, vi coragem vencer o medo nos
deputados bahianos (com h mesmo).
Mas fiquei também decepcionado com
aqueles que se autodeclaram: evangélicos. Declaro aqui: NÃO SOU EVANGÉLICO! Não
este padrão de evangélico que se alia a elite brasileira. Não evangélico que se
alia a tortura e exploração do trabalho infantil, não sou evangélico que não
respeita o direito das mulheres e que não respeita as diferenças. Por isso
sempre respondi que sou protestante reformado (isso é assunto para outro post).
Triste com as pessoas que estão felizes
com a situação que vivemos. Triste porque tem evangélico orando pela restauração
da elite no poder, e pedindo a Deus para tirar quem legitimamente chegou lá. Meu
voto foi legítimo. Triste por orações que pedem o caos. Triste por ver um país
dividido.
Não sou profeta, nem filho de profeta.
Sou um professor que sonha com um país justo. Que começou a ver esta justiça
acontecer no processo de democratização da educação. Na contramão de muitos
colegas que reclamavam do nível dos alunos; eu mesmo sempre coloquei a dificuldade que
muitos têm. Mas acredito em superações. O desenvolvimento e valorização do
outro só é possível quando se dá oportunidade. Políticas sociais em educação
geraram oportunidades. Sinto que isso pode acabar. Visualizo um ensino superior
público com vagas restritas. Onde o engodo da meritocracia será à base de
discursos e políticas. E um ensino privado mais mercadológico do que já é. Mas profetizo, afirmando que a luta por um país justo, fraterno, menos desigual continua.
Acordei mais triste! Mas sempre com esperança!
Por isso continuo sonhador, continuarei
no meu espaço de reflexão sonhando. Sendo utópico (“Só os utópicos podem ser profetas”, dizia
Paulo Freire.), e acreditando que podemos ser mais justos, não desistirei de lutar por liberdade e igualdade, contra a desigualdade imposta pelas elites.
Aos que se decepcionaram comigo, quero
dizer que decepção não significa desistência.
Talvez resistência. Continuarei resistindo.
Continuo sonhando, pelo menos isso por
enquanto, não pode ser usurpado.
@Zerominho
segunda-feira, 7 de março de 2016
08 de Março - que tal pensar um pouco?
Faz algumas semanas que não escrevo aqui no Blog. As
atividades regulares não tem permitido produzir algo que é fruto do ócio. Mas
não podia deixar de escrever sobre o dia 08 de março. Já escrevi algo alguns
anos atrás. Está aí nos arquivos do Blog. Ali fiz um histórico, apontei lutas,
deixei muito claro de que lado milito nesta discussão.
Hoje quero pensar não diferente daquele post, mas numa outra linha de raciocínio. Quando se estabelece um
dia de alguma coisa, é como dia de luta; um dia para lembrar a necessidade que
ainda se tem de pensar de forma reflexiva sobre tal assunto. Já afirmei isso
outras vezes. Por isso o dia 08 de março não é dia de flores, nem de jantares,
não é o dia do romantismo: É dia de reflexão!
Há dez anos se instituía a Lei Maria da Penha - LMP (agosto
de 2016), fruto de luta e sofrimento de muitas mulheres. Foi preciso que o
Brasil fosse condenado numa corte internacional para que uma lei fosse
promulgada. A vitória de uma Lei como esta deve sim ser celebrado. A vitória de uma Lei que coíbe ações de violência contra a mulher.
(veja aqui: http://www12.senado.gov.br/jornal/edicoes/especiais/2013/07/04/brasil-so-criou-lei-maria-da-penha-apos-sofrer-constrangimento-internacional).
O dia 08 de março é para que nós opressores - e aqui me
coloco enquanto homem de uma sociedade patriarcal e opressora, mesmo que minhas
ações individuais sejam opostas a opressão masculina – venhamos perceber que
ainda somos violentos em nossa relação com o outro sexo; e que as mulheres são
minoria, pois sua voz não é ouvida nem ecoa como a dos homens.
Infelizmente há casos de violência física ainda presente. Hoje
já combatida pela LMP. Há também a violência verbal (palavrões, xingamentos,
cantadas); há uma violência simbólica, onde a hegemonia masculina impõe uma
cultura de dominação sobre a mulher. É a ação violenta praticada através de proibições
de certo tipo de roupas, a proibição para ir a certos lugares, proibição de trabalhos
a realizar, o controle financeiro, o controle do tempo, o controle sexual.
Violência travestida de “cuidado”. Para estas violências penso que a LMP não se
aplica. É uma pena!
Este dia é para que nós (lado opressor da história)
reflitamos práticas, questionemos comportamentos, conscientizemos que é
necessário mudança. É o dia para nos somarmos as milhões de vozes que não são
ouvidas, pois seu som está sufocado pelo opressor.
Me lembro de Jesus. Ele que deu voz ao oprimido e colocou a
mulher no lugar que lhe é devido: ao seu lado, no Reino de Deus. E a ela deu a
voz que nós homens não damos. No episódio conhecido da Mulher Samaritana (João
4), ele se revela como o Messias. Não foi a homens, muito menos fariseus. Mas uma
mulher e samaritana. É ela que vai anunciar que conheceu quem veio redimir o
povo. Para variar não deram “ouvidos” aquela mulher. Mas foi dela que saiu a
mensagem, sua voz ganhou o mundo.
Da mesma forma, na ressurreição, o Senhor aparece a
mulheres. São elas as primeiras a ver o Cristo Ressurreto. Elas anunciam. Mais
uma vez não acreditam. É preciso o testemunho de homens. Mas o relato delas
chegou até nós.
O Senhor Jesus mostrou que não há diferença entre homens e
mulheres. São todos alvos de sua graça, de seu amor e perdão. E todos chamados
a missão de anunciar seu propósito para a humanidade.
Quando chamo à reflexão, estou chamando inclusive a ver como
Jesus agiu. Refletir sua prática. E nesta prática não há espaço para violência
simbólica, muito menos física ou verbal. Jesus não violentou, nem reproduziu a
opressão masculina. Ele se coloca no lugar do oprimido. Isso é cristianismo.
Dia Internacional da Mulher é para dar esta voz. Posso até
dar uma flor, não como ação romântica, mas como um símbolo de vida, de beleza
da vida; de uma vida que merece ser vivida dignamente; sem violência, sem medo,
sem opressão.
Ainda precisamos deste dia. Ainda precisamos lembrar destas
coisas. Como Jesus, fico com os sem voz, com os oprimidos, com aquelas que
sofrem diariamente violências das mais variadas formas. Delas são o Reino. Elas
precisam ser ouvidas, não como reprodutoras de um discurso opressor, mas como
produtoras de práticas de liberdade.
Acabou meu tempo de ócio.
Abraços
Zé Rominho
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
MAIS QUE MINHA NAMORADA, MINHA AMADA PARA VALER!
Tem um livro que li faz alguns anos, de um pastor amigo que
tem por título Parceria Conjugal. É
um texto que reflete o sentimento que me passa agora em minha mente. Hoje faço
20 anos de casado com a mulher que Deus escolheu para mim, e que me escolheu
para ela.
Interessante que quando penso nos 20 anos, parece que foi
ontem e ao mesmo tempo parece que nunca estivemos separados. Nossa história se
misturou de tal forma, que o texto bíblico de Genesis 2,24 - quando diz que os
dois se fizeram uma só carne, é uma realidade em nossas vidas. Uma só carne, da
mesma essência, que vêm do mesmo lugar, mas sem perder a identidade e a individualidade.
É de fato um mistério.
Uma história que podia ter acontecido antes, no tempo que eu
fazia o percurso Recife-Salvador-Irecê. Mas nunca nos encontramos. Ou podia ter
sido em algum encontro de Mocidade, ou Presbitério. Mas não, Deus programou o
tempo certo, depois de vivermos as experiências que ele permitiu que vivenciássemos.
No tempo de Deus as coisas aconteceram.
Como diz a música que Luciano cantou no dia do nosso
casamento, e foi repedida por ele e Lídia quando celebramos 10 anos: Em teu tempo; Em teu tempo; Tudo lindo Tu
fazes; Em teu tempo. Senhor me mostra cada dia; Enquanto o Senhor me guia; Que
Tu cumpres a Palavra; Em teu tempo. Tudo lindo; Tu fazes; Em teu tempo; Que a
vida que eu entrego; E as canções que eu canto, Sejam lindas ao Senhor. Em Teu
tempo.
Não me arrependo das coisas que vivi antes, nem das
experiências anteriores, louvo a Deus por elas, pois foi a partir de cada
momento vivenciado que fui sentindo a necessidade de viver um relacionamento
sólido, onde eu pudesse cuidar e ser cuidado; onde a relação fosse pautada na
confiança mútua e na liberdade individual; e acima de tudo onde o Senhor Eterno
fosse o centro da relação. Aí incluía ministério, vida profissional, filhos,
famílias, etc.
Deus proporcionou a mim e a Jailza, a minha Tula, momentos
muito agradáveis antes de nos conhecermos. Mas a felicidade, e aqui vai minha
pretensão, só encontramos para valer depois que Deus nos uniu.
Há vinte anos, assumíamos diante de Deus, de amigos, da
família, da igreja compromissos que sempre estiveram em nossos corações. Naquele
dia, pude dizer a Tula: “Voce quer ser minha namorada, mais que minha namorada,
minha amada para valer; pelo amor predestinada”. Naquele dia ela aceitou um
pedido que eu havia feito alguns meses antes: Deixe eu amar você! – Ela
aceitou!
Naquela noite, há vinte anos ela assumia o compromisso de me
amar, e de que juntos criaríamos nossos filhos, e que independente das
possibilidades que aparecessem diante de nós, ela me amaria. Eu acreditei em
suas palavras, no seu olhar, no seu amor. E hoje vivemos intensamente este
amor.
Então juntos começamos a construir um caminho onde duas
coisas eram fundamentais: a felicidade e a liberdade. Descobrimos
que só poderíamos alcançar estes dois objetivos se estivéssemos juntos,
casados, ligados pelo matrimônio. Casamo-nos, cuidamos um do outro, cuidamos de
nossos filhos, nasceu Lídia; virá os netos e netas.
Final feliz? Não. Em construção da felicidade. Se nos
perguntarem hoje se somos felizes, a resposta é: sim, mas seremos mais ainda.
Acreditamos em nossa relação, em nossa família, em nossos filhos.
Acreditamos no MATRIMÔNIO.
Acredito na união de um homem e uma mulher, que diante de
Deus se comprometem a serem felizes e se cuidarem mutuamente.
Tula, eu te amo. Obrigado por ser “minha namorada, mas que
minha namorada, minha amada para valer, pelo amor predestinada”. Obrigado por
estes 20 anos, e pelos outros 20, 40, 50 e quantos Deus permitir que vivamos.
Obrigado Senhor, pela mulher que escolheste para mim, e porque
me escolheste para ela.
@ZeRominho
terça-feira, 10 de novembro de 2015
Um pai saudoso e reflexivo
Uma das experiências mais marcantes da existência humana é ver o
nascimento de um filho. No meu caso, uma filha. Lembro-me da véspera e
do momento de nascimento de minha filha Daniela.
Morávamos e uma cidade que não tinha uma grande estrutura. Para se ter
uma ideia não foi feito ultrassonografia, porque na cidade não havia
aparelho. A clínica era a casa do médico. Na noite anterior as dores
começaram a chegar. Após ligar para a casa do médico, como não tinha
carro, saí andando pela cidade até achar um carro na rodoviária, uns
20 minutos andando até lá.
Aí acontece o inesperado. O médico, ou melhor, a esposa dele pois o
mesmo nem falou comigo, mandou eu me dirigir a clínica (leia-se a casa
dele). Ao chegar encontro à esposa do médico de roupão na porta da
clínica, com a chave do carro dela, pedindo para eu ir buscar a
enfermeira, pois o pediatra já estava a caminho. Saio eu com o carro
da esposa do médico para ir buscar sua auxiliar. Cômico hoje,
desesperador no dia.
Ao chegar, o parto já estava se iniciando. Depois de um período que
parecia uma eternidade para mim, nasceu uma menina. Surpresa, pois não
sabíamos o sexo. A beleza da vida se manifesta sem percebermos. As
condições não permitiriam um parto que não fosse normal. Deus na sua
soberania permitiu que tudo ocorresse sem complicações. Deus age sem
percebermos.
Nasceu uma menina: doce, esperta, que desde cedo se mostrou meiga,
cuidadosa, sempre disposta a ajudar o outro. A chamamos de Daniela. A
versão feminina de Daniel, que tem como significado: "Deus é meu juiz"
ou "é o Senhor quem me julga". Do hebraico danyyel, formado pela
junção dos elementos dan, que significa literalmente “aquele que
julga" ou "juiz” e El quer dizer “Senhor" ou "Deus”.
Já faz algum tempo que este episódio aconteceu, mas a doçura daquele
bebê se multiplicou. O sorriso daquela menininha que vivia toda
enroladinha nos cueiros e mantas, devido ao frio da cidade, continua a
contagiar. Quem dela se aproxima, percebe seu carinho, sua vontade de
ajudar, seu jeito meigo de ser.
Minha menina, meu Bebê hoje é uma mulher. Que tem responsabilidades,
sonhos, projetos. Não posso mais protegê-la com cueiros e mantas; não
posso mais carregá-la no colo, nem trocar suas fraudas como muitas
vezes fiz. Mas continuo a orar pela sua vida. Continuo a pedir ao Deus
Juiz, que a proteja, cuide e permita que a felicidade se concretize em
sua vida.
Muitos caminhos já foram cruzados nestes anos, muitos encontros e
desencontros. Até a sua adolescência, estávamos juntos sempre. Hoje
nosso tempo juntos é reduzido. Sinto falta. Mas a vida é assim. Filhos
são flechas que lançamos na vida em busca do alvo. Não para atingir
pessoas ou coisas, mas para voarem sozinhos e construírem suas vidas.
Como flecheiros que somos, ficamos observando. No meu e de muitos pais
e mães: orando, na esperança que alcancem o alvo: a felicidade em
Jesus!
Filhos, filhos: que alegria tê-los; que preocupação criá-los; que
satisfação vê-los; que realização vê-los ao servindo ao Senhor.
Hoje estou um pai saudoso e reflexivo.
@ZeRominho
nascimento de um filho. No meu caso, uma filha. Lembro-me da véspera e
do momento de nascimento de minha filha Daniela.
Morávamos e uma cidade que não tinha uma grande estrutura. Para se ter
uma ideia não foi feito ultrassonografia, porque na cidade não havia
aparelho. A clínica era a casa do médico. Na noite anterior as dores
começaram a chegar. Após ligar para a casa do médico, como não tinha
carro, saí andando pela cidade até achar um carro na rodoviária, uns
20 minutos andando até lá.
Aí acontece o inesperado. O médico, ou melhor, a esposa dele pois o
mesmo nem falou comigo, mandou eu me dirigir a clínica (leia-se a casa
dele). Ao chegar encontro à esposa do médico de roupão na porta da
clínica, com a chave do carro dela, pedindo para eu ir buscar a
enfermeira, pois o pediatra já estava a caminho. Saio eu com o carro
da esposa do médico para ir buscar sua auxiliar. Cômico hoje,
desesperador no dia.
Ao chegar, o parto já estava se iniciando. Depois de um período que
parecia uma eternidade para mim, nasceu uma menina. Surpresa, pois não
sabíamos o sexo. A beleza da vida se manifesta sem percebermos. As
condições não permitiriam um parto que não fosse normal. Deus na sua
soberania permitiu que tudo ocorresse sem complicações. Deus age sem
percebermos.
Nasceu uma menina: doce, esperta, que desde cedo se mostrou meiga,
cuidadosa, sempre disposta a ajudar o outro. A chamamos de Daniela. A
versão feminina de Daniel, que tem como significado: "Deus é meu juiz"
ou "é o Senhor quem me julga". Do hebraico danyyel, formado pela
junção dos elementos dan, que significa literalmente “aquele que
julga" ou "juiz” e El quer dizer “Senhor" ou "Deus”.
Já faz algum tempo que este episódio aconteceu, mas a doçura daquele
bebê se multiplicou. O sorriso daquela menininha que vivia toda
enroladinha nos cueiros e mantas, devido ao frio da cidade, continua a
contagiar. Quem dela se aproxima, percebe seu carinho, sua vontade de
ajudar, seu jeito meigo de ser.
Minha menina, meu Bebê hoje é uma mulher. Que tem responsabilidades,
sonhos, projetos. Não posso mais protegê-la com cueiros e mantas; não
posso mais carregá-la no colo, nem trocar suas fraudas como muitas
vezes fiz. Mas continuo a orar pela sua vida. Continuo a pedir ao Deus
Juiz, que a proteja, cuide e permita que a felicidade se concretize em
sua vida.
Muitos caminhos já foram cruzados nestes anos, muitos encontros e
desencontros. Até a sua adolescência, estávamos juntos sempre. Hoje
nosso tempo juntos é reduzido. Sinto falta. Mas a vida é assim. Filhos
são flechas que lançamos na vida em busca do alvo. Não para atingir
pessoas ou coisas, mas para voarem sozinhos e construírem suas vidas.
Como flecheiros que somos, ficamos observando. No meu e de muitos pais
e mães: orando, na esperança que alcancem o alvo: a felicidade em
Jesus!
Filhos, filhos: que alegria tê-los; que preocupação criá-los; que
satisfação vê-los; que realização vê-los ao servindo ao Senhor.
Hoje estou um pai saudoso e reflexivo.
@ZeRominho
segunda-feira, 19 de outubro de 2015
O tempo está passando! Tic-Tac, Tic-Tac ...
O ano está chegando ao fim. Lembrei de minha Avó Iracema. Dizia ela que quando entra o embro-bro o ano chegou ao fim. É setembro, outubro, novembro e dezembro. O último quadrimestre do ano. Mas qual o significado disso? Tudo não é a mesma coisa?
Sim, do ponto de vista temporal, dos dias, semanas e meses não tem diferença entre outubro, janeiro ou maio. Mas da perspectiva produtiva da qual nós somos submetidos há muita diferença. Somos medidos pelo que produzimos em determinado tempo, em um período definido. Em nosso contexto, o início é o janeiro e dezembro o final. Em 12 meses precisamos dar resultados.
Quanto poupou durante o ano? Quais bens consumiu? Para onde viajou? Fez o quê? Se é na universidade: quantos artigos? Congressos? Se é na vida religiosa: quantas almas? E por aí vai.
Lembro de uma época que em reuniões eclesiásticas (sou presbiteriano e nos reunimos pelo menos uma vez por ano em Presbitério para avaliar as atividades passadas e planejar o ano que se inicia) os relatórios pastorais eram cheios de dados quantitativos. Quanto mais visitas, casamentos e batismos realizados, mais sucesso se tinha. Tudo se resumia em duas palavras: números e cobrança.
E é isso que todos os dias fazem conosco: cobram. E o que é pior, nós passamos a cobrar de nós mesmos. E ao chegar o fim de mais um período produtivo, começam a chegar os instrumentos de avaliação. Esta semana já preenchi um questionário de uma das minhas atividades. O que você fez durante o ano? Parece pergunta de filme de terror trash (o que vocês fizeram no verão passado?).
Mas é neste contexto que vivemos. Contexto de produtividade. O pensar, o contemplar, o sentir, o apenas estar junto não tem mais importância. O que vale é o número, e o que vem atrelado a ele. Seja de artigos, ou orientandos, ou visitas ou almas. Número, produtividade. Não há interesse em saber quem conversou com você, ou o que você fez quando alguém chorou ou sorriu. Se você ficou conversando com um aluno que está vivendo um conflito em relação a profissão, ou se aquele crente da igreja não sabe se muda de emprego ou não.
Estas coisas não são mensuráveis, não fazem sentido.
O ano está acabando, e eu estou aqui, Em vez de fazer algo produtivo, mensurável, estou escrevendo coisas de quem não tem o que fazer. Afinal de contas, isso não vai gerar nenhum lucro. É verdade! Deixa eu voltar para a realidade. Outubro já está no fim, e faltam cerca de 70 dias para acabar o ano. E o pior não escrevi nenhum artigo, não fui a nenhum congresso, e só batizei 2 pessoas este ano. Acho que não vou ganhar presente de Natal. Não fui um bem menino.
Mas a vida segue!
Zé Rominho
Sim, do ponto de vista temporal, dos dias, semanas e meses não tem diferença entre outubro, janeiro ou maio. Mas da perspectiva produtiva da qual nós somos submetidos há muita diferença. Somos medidos pelo que produzimos em determinado tempo, em um período definido. Em nosso contexto, o início é o janeiro e dezembro o final. Em 12 meses precisamos dar resultados.
Quanto poupou durante o ano? Quais bens consumiu? Para onde viajou? Fez o quê? Se é na universidade: quantos artigos? Congressos? Se é na vida religiosa: quantas almas? E por aí vai.
Lembro de uma época que em reuniões eclesiásticas (sou presbiteriano e nos reunimos pelo menos uma vez por ano em Presbitério para avaliar as atividades passadas e planejar o ano que se inicia) os relatórios pastorais eram cheios de dados quantitativos. Quanto mais visitas, casamentos e batismos realizados, mais sucesso se tinha. Tudo se resumia em duas palavras: números e cobrança.
E é isso que todos os dias fazem conosco: cobram. E o que é pior, nós passamos a cobrar de nós mesmos. E ao chegar o fim de mais um período produtivo, começam a chegar os instrumentos de avaliação. Esta semana já preenchi um questionário de uma das minhas atividades. O que você fez durante o ano? Parece pergunta de filme de terror trash (o que vocês fizeram no verão passado?).
Mas é neste contexto que vivemos. Contexto de produtividade. O pensar, o contemplar, o sentir, o apenas estar junto não tem mais importância. O que vale é o número, e o que vem atrelado a ele. Seja de artigos, ou orientandos, ou visitas ou almas. Número, produtividade. Não há interesse em saber quem conversou com você, ou o que você fez quando alguém chorou ou sorriu. Se você ficou conversando com um aluno que está vivendo um conflito em relação a profissão, ou se aquele crente da igreja não sabe se muda de emprego ou não.
Estas coisas não são mensuráveis, não fazem sentido.
O ano está acabando, e eu estou aqui, Em vez de fazer algo produtivo, mensurável, estou escrevendo coisas de quem não tem o que fazer. Afinal de contas, isso não vai gerar nenhum lucro. É verdade! Deixa eu voltar para a realidade. Outubro já está no fim, e faltam cerca de 70 dias para acabar o ano. E o pior não escrevi nenhum artigo, não fui a nenhum congresso, e só batizei 2 pessoas este ano. Acho que não vou ganhar presente de Natal. Não fui um bem menino.
Mas a vida segue!
Zé Rominho
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Mais um dia do Professor
Acordei hoje lembrando que há trinta anos minha carteira
profissional foi assinada como Professor. Foi no Instituto 12 de Agosto, na
cidade de Irecê – BA. Me senti orgulhoso, saudoso e velho!
Já se vão 30 anos de exercício de uma profissão. Não
enriqueci, não mudei o mundo (eu pensava que poderia fazê-lo), e não consegui
ver o cenário mudar. Meio decepcionante. Acordei cercado de provas para
corrigi, com algumas mensagens, de colegas desejando um feliz dia do professor.
Acordei para ir executar mais um dia de tarefas.
De uma turma de 66 pessoas (só pela manhã), dia de entregar
avaliações e notas, uma estudante, já na porta voltou e disse: feliz dia do
professor! Até que enfim salvou-se uma alma. Os demais... É só mais um dia.
Inclusive não muito feliz para alguns que receberam suas notas.
Não sei porque ainda me surpreendo. Afinal são 30 anos. As
coisas não mudaram tanto assim. Surgiram novas tecnologias (vê meu post de
2011), aumentou as nossas atividades (portal do professor, caderneta
eletrônica, gravar vídeo, etc), os estudantes de hoje são semelhantes aos do
passado: práticos. Isto é, qual foi minha nota? Falta quanto para passar?
Construção do conhecimento? Descobrir coisas novas?
Pesquisa? Aprofundar discussões? Faz tempo que não me iludo mais. Prefiro a
surpresa de quando alguém chega e diz que quer fazer, ou produz um texto
cativante, ou ainda reconhece que não foi legal e que pode melhorar. Aí meu
sorriso abre e vejo que nem tudo está perdido.
Mais deixa para lá. Já sonhei bastante por hoje, e também já
me lamentei. Tenho mais 130 atividades para corrigir, quatro turmas para lançar
no portal, palestra para acompanhar os estudantes, aula para preparar, 50
projetos de pesquisa de graduação para dar parecer, ufa! Isso até
segunda-feira. Depois tem mais. Quem mandou estudar?
Com tudo isso, sou feliz por poder compartilhar com outras
pessoas experiências, e juntamente com essas pessoas descobrir coisas novas.
A tod@s: Feliz mais um dia do Professor!
Zé Rominho
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
Pulos de Alegria
Cheguei em casa ontem e não vi pulos, nem ouvi latidos, muito menos corre-corre. Na hora do almoço não vi aquele olhar pidão, nem pulos atrás de mim ao tirar os pratos da mesa. Ao acordar hoje, não fui saudado À beira da cama, nem patinhas me arranharam. E mais tarde, ao chegar em casa e entrar com o carro na garagem não vai haver mais aquela cadelinha pulando dentro do carro.
Quando fazia algo que nos desagradava e brigávamos com ela, se escondia e aos poucos ia se aproximando, como que pedindo desculpas. Uma graça. Uma alegria. É esta a imagem que guardamos.
É Bibi se foi...Uma parceira. Uma misto de cadela e canguru, com pulos bem altos. Viajada: Aracaju, João Pessoa, Natal. Viajava quietinha. Nem parecia a desesperada de quando chegávamos em casa. Como dizíamos, era meio suicida. Mordeu um anzol quando tinha meses, fugiu de um pet shop e ficou três dias desaparecida em Aracaju, pulou do telhado em Salvador. Mas não sobreviveu a última travessura.
Vamos sentir falta dela. Mas Deus nos ensinou algumas coisas através da presença de Bibi conosco:
Sei que muitos não entendem os sentimentos de perder um animal de estimação, até criticam os sentimentos. Mas estas criaturas são instrumentos usados pelo Pai para de alguma forma nos ensinar algo.
Sou grato ao Pai por nos permitir aprender também através de sua Criação. Foi bom ter Bibi conosco estes 5 anos.
@ZeRominho
Quando fazia algo que nos desagradava e brigávamos com ela, se escondia e aos poucos ia se aproximando, como que pedindo desculpas. Uma graça. Uma alegria. É esta a imagem que guardamos.
É Bibi se foi...Uma parceira. Uma misto de cadela e canguru, com pulos bem altos. Viajada: Aracaju, João Pessoa, Natal. Viajava quietinha. Nem parecia a desesperada de quando chegávamos em casa. Como dizíamos, era meio suicida. Mordeu um anzol quando tinha meses, fugiu de um pet shop e ficou três dias desaparecida em Aracaju, pulou do telhado em Salvador. Mas não sobreviveu a última travessura.
Vamos sentir falta dela. Mas Deus nos ensinou algumas coisas através da presença de Bibi conosco:
- Perdão - É.. Se brigávamos, ou não estávamos a fim de brincar com ela, ela saía de perto e logo voltava com um brinquedo, lambia, pulava. Mesmo sem motivo e mandávamos ela sair, ela sempre voltava para estar ao nosso lado;
- Igualdade - Bibi brincava com todo mundo. Adulto, criança, homem, mulher, rico, pobre. Até de quem não era muito chegado a cachorro, ela queria brincar. Chegava alguém, ela logo ia buscar seu brinquedinho. Para ela o importante era estar junto, brincar. Sem ato discriminatório algum.
- Pedir Ajuda - Dias de trovão, ou com muitos fogos, ela tinha medo, se assustava, então pulava nos braços, ou ficava quietinha aos nossos pés. Reconhecendo que precisava de ajuda e proteção.
Sei que muitos não entendem os sentimentos de perder um animal de estimação, até criticam os sentimentos. Mas estas criaturas são instrumentos usados pelo Pai para de alguma forma nos ensinar algo.
Sou grato ao Pai por nos permitir aprender também através de sua Criação. Foi bom ter Bibi conosco estes 5 anos.
@ZeRominho
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
Feliz Natal
Este é um post antigo, que reedito neste Natal.
“Porque um menino nos nasceu, [...] Principe da Paz” Isaías 9,6
Acredito que todos conheçam esta promessa presente no livro do Profeta Isaías, e que aponta para o nascimento de Deus-menino: Jesus. A promessa tem muitos significados, muitas linhas de interpretação. Mas como não sou exegeta, nem biblista, gostaria de pensar com vocês apenas em dois aspectos da promessa: 1) o nascimento do menino e 2) a paz. Duas coisas que estão presente no nosso dia-a-dia. Duas realidades que vivemos a cada instante. Meninos e meninas que nascem e morrem diante de nossos olhos e a ausência de paz que se propaga velozmente ao nosso redor.
Crianças são espancadas, violentadas, exploradas, comercializadas diariamente. Todos os dias há uma notícia de descaso com meninas e meninos. E nem nos lembramos delas. Ver crianças sendo exploradas ou deixadas ao léu parece que tornou-se algo normal, parece que nos acostumamos com estas cenas, já passamos por estas crianças e desenvolvemos a capacidade de não enxergá-las. A capacidade não de ser invisível, mas de tornar às coisas que não nos dizem respeito invisíveis. E estas meninas e meninos não fazem parte de nosso universo, daí não a enxergarmos. Só quando de alguma forma somos ameaçados por eles, quando se sai da “paz”, é que reconhecemos a existência destes pequeninos.
Mas o Menino-Deus disse certa vez que o Reino de Deus é destes pequeninos, e mais que quem não se tornar como um deles não pode ver este Reino. Que maravilha, precisamos nos tornar como crianças: inocentes, crédulas, amigas, inquietas, espontâneas, verdadeiras. Jesus nasceu e viveu como criança, para nos mostrar a beleza e a pureza do Reino de Deus.
A criança nos traz a memória a alegria, a pureza, a simplicidade, a inocência. A criança renova nos homens e mulheres a esperança, as forças para que mundo se torne melhor. A criança aproxima famílias que vivem em desarmonia, reacende amizades, reanima corações solitários.
Natal é a celebração do nascimento de uma criança. Deus se fez criança, para nos mostrar o que ele espera de nós. Natal é mais que celebração, é momento de assumir compromisso. É hora de refazer à aliança com o Senhor Eterno. Aliança que inclui essas crianças que deixamos a mercê da sorte. Penso que neste Natal precisamos, não distribuir panetones nas ruas ou arrecadar presentes e distribuir numa favela (ou comunidade que é mais chiq). Necessitamos de ações que dêem as crianças ESPERANÇA, a mesma que encontramos no Senhor Jesus. Necessitamos de Igrejas, Cristãos. Líderes religiosos menos demagogos, e com mais ação. Precisamos de menos pirotecnia eclesial, estatal, comercial. E necessitamos de que o Menino-Deus torne-se verdadeiramente o Príncipe da Paz.
Por isso, penso paz não como a ausência de guerra, ou a presença maciça de militares nos morros do Rio de janeiro. Paz real acontece quando o Deus-Menino nasce, brota na vida dos homens e mulheres. Na noite de seu nascimento, lá em Belém da Judéia, se ouviu um coral de anjos anunciando e cantando: “na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor [...] Glória a Deus nas alturas, Paz na terra [...]” (Lucas 2, 11-14).
Por isso Natal é Paz. Mas como o Natal deve ser diário, esta paz não se resume apenas em alguns instantes. Ela é eterna.
Que este Natal seja diferente. Que ele marque o seu compromisso com o Senhor Eterno. Que aconteça Natal na sua vida! Feliz Natal!
@zerominho
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Dia do Pastor Presbiteriano Independente
Aos meus amigos pastores e pastoras:
Hoje a Igreja Presbiteriana Independente do Brasil celebra o
Dia do Pastor e do Missionário, em homenagem a ordenação do Rev. Eduardo Carlos
Pereira. Abaixo parte de um pequeno texto que em breve apresentarei em um Simpósio. Só
para lembrar quem foi nosso homenageado. Mesmo discordando dele em algumas
posições, entendo que sua vida é inspiradora para nós pastores hoje.
Em tempo de Mega Pastores, Apóstolos, Bispos, em tempos que
nossas igrejas nos cobram produtividade, crescimento, cultos animados, etc.
Lembro do nosso homenageado de hoje: Sua preocupação: o povo brasileiro. Seu
objetivo: Evangelizar. Sua vida: compromisso com o Evangelho.
Parabéns aos meus amigos pastores. Da IPIB e de outras
igrejas irmãs. Como dizia um professor meu no Seminário em Recife (SPN): “Não é
fácil a nossa vocação, mas eterno o nosso galardão...”
Que o dia de hoje seja de celebrações, descanso, reflexão e
de renovação de votos com o Senhor Eterno, com seu Reino, com o chamado para a
obra e com a IPIB.
Abraços a todos e todas.
Rev. Ze Rominho
@zerominho
Mineiro de nascença, Eduardo Carlos Pereira (1855-1923), foi professor
desde muito cedo. Entrou para a Igreja Presbiteriana em 1875, sendo ordenado
ministro presbiteriano em 1881, com vinte e seis anos de idade. Desde cedo no
seu ministério, Eduardo Carlos Pereira mostrou-se preocupado com a
evangelização das terras brasileiras. Cada vez mais alcançando espaço nas
reuniões conciliares, demonstra o interesse pela pregação do Evangelho,
passando a questionar a liderança norte-americana no que se referia ao
redirecionamento de verbas para a educação secular, e não no investimento na
formação de pastores brasileiros.
Eduardo Carlos Pereira buscava em seus sermões e textos publicados a
conversão de católicos à fé protestante. Fundou em 1883, a Sociedade Brasileira
de Tratados Evangélicos “com o objetivo de produzir literatura evangélica em
linguagem bem trabalhada e acessível ao povo dentro do contexto nacional”
(MENDONÇA, 1995, p. 87).
Com a visão de uma autonomia para a Igreja Presbiteriana brasileira,
Pereira concebe o que foi chamado de Plano de Missões Nacionais, que tinha como
objetivo acelerar o processo de independência financeira para sustentar
pastores, missionários e professores brasileiros. Em 1893, juntamente com
outros pastores presbiterianos nacionais, funda o jornal O Estandarte (ainda em
circulação). Para divulgar suas ideias, lança em 1887 a Revista de Missões
Nacionais.
Duas grandes lutas foram travadas por Eduardo Carlos Pereira. Uma com os
missionários americanos, no que diz respeito à necessidade de se evangelizar o
Brasil, e que todos os esforços da igreja deviam ser direcionados para esta
ação. E outra foi com a Igreja Católica, onde Pereira saiu em defesa do
protestantismo refutando ideias que surgiram tentando desestabilizar a igreja
protestante que se consolidava no Brasil. Pereira escreve nas páginas de O
Estandarte duas séries de artigos mostrando que havia uma superioridade
civilizatória protestante em relação aos povos colonizados por católicos
romanos, no que se refere principalmente ao progresso material e moral do povo.
(MENDONÇA, 1995).
Eduardo Carlos Pereira entendia que a América Latina continuava pagã,
para ele a mensagem católica romana havia distorcido a verdadeira mensagem do
Evangelho. O fato de ter sido colonizada por países cristãos, não fazia dela um
continente cristão. Esta perspectiva de Pereira fez dele um líder a ser ouvido
e respeitado pelos pastores brasileiros. Sua liderança levou a desenvolver
ideais nacionalistas, que culminou no surgimento da Igreja Presbiteriana
Independente do Brasil (IPIB) em 1903.
Depois de pastorear igrejas em Minas Gerais, a Igreja Presbiteriana de
São Paulo o elegeu em 1888 como seu pastor e passou a mantê-lo com recursos
próprios. É o primeiro pastor brasileiro eleito e sustentado integralmente com
recursos nacionais.
sexta-feira, 26 de julho de 2013
DIA DOS AVÓS
Engraçado, quando eu era criança não se comemorava este dia.
E eu tinha todos os motivos para comemorar. Conheci e convivi com os meus 4
avós. Cada um do seu jeito.
Lembro-me de minha Avó Paterna, D. Maria, para mim Vó Maria.
Uma mulher de bom humor, sempre com um sorriso no rosto e pronta para dar um
jeitinho nos filhos e netos que estavam ao seu lado. Já meu Avô Paterno, Vô Mário,
este era sério! Passava respeito! Sisudo! Agora quando nasceu Érika, minha
irmã, ia todo dia levar uma fruta e visitar a princesa (era assim que a
chamava). No fundo eu sentia ciúmes, mas hoje vejo o carinho que ele tinha por
aquela menina.
E meu Avô Materno, o Major Wilson. Vovô Wilson! Este eu via mais
doçura, menos “sisudez”. Sempre que ia nos visitar, preparávamos para recebê-lo.
Frutas (o melão não podia faltar), biscoito salgado, leite. Meu Avô era
diabético. Lembro do seu sorriso. Como era criança, não pude desfrutar de sua
sabedoria.
E minha Vó Cema. Vovó Iracema! Esta foi com quem mais
convivi. Na verdade, ela nos criou. Mãe e Pai trabalhando e Vó conosco,
cuidando, beijando, nos alimentando de carinho e sabedoria. Se apanhei de um
dos meus avós, foi dela que levei umas palmadas. Doce, séria, alegre,
pensativa. Não dormia sem pensar em todos os seus. Dizia que irradiava
pensamentos. Sei que o tempo que passei longe dela, seus pensamentos foram até
onde eu estava.
Eu tinha tanto para comemorar este dia! Mas não existia, ou
não era comercial. Sei lá!
Não sou avô ainda. Tudo tem seu tempo. E espero que meus
filhos cumpram o tempo de Deus. Mas quero ser avô como foram os meus:
dedicados.
Hoje meus filhos podem aproveitar a presença dos seus avós.
Como eu, eles também têm o privilégio de conviver com eles. Uns estão mais
distantes, outros bem perto.
Vejo como meu Pai hoje quer agradar minha filha. E ainda se
chateia porque acredita que ela não está gostando das coisas que ele faz para
ela (bolo, fatia, doce, pudim...). Vejo minha Mãe acordando cedo para cuidar de
meu sobrinho, se preocupando com ele, fazendo tudo que minha vó fez conosco,
cuidando, amando.
Olho para minha sogra, e percebo sua alegria com a casa
cheia de netos, e com o sorriso no rosto porque elogiaram seu cozido ou o
lombo. Meu sogro feliz quando sai para ir comprar pão para os netos.
Meu irmão, que já é avô, literalmente baba diante de seus
netos! Acredito que esta experiência é inexplicável.
Neste dia, quero agradecer pelos avós que tive. Quero louvar
a Deus por estes que são avós hoje. Que o Pai Eterno abençoe a cada dia vocês,
vovôs e vovós. Pois a presença de vocês na vida de nossos filhos é muito preciosa.
Nós pais precisamos de vocês.
Que Deus os abençoe!
@zerominho
quinta-feira, 8 de março de 2012
Dia "da mulher" ou Dia de Luta pelos direitos da mulher?
Pensei em escrever algo sobre o Dia Internacional da Mulher motivado por algumas questões. Primeiro, porque um dos focos do meu trabalho no doutorado têm sido as relações de gênero, e estudo mulheres no pentecostalismo. Depois porque as chamadas comemorações do dia da mulher têm incomodado, a mim e a muita gente.
Curioso como sempre fui, dizem que uma característica do pesquisador é a curiosidade (então desde criança tento ser pesquisador), procurei entender o que significava o dia 8 de março, e porque um dia específico “dedicado” as mulheres.
Interessante que o “Dia da Mulher” começa como momento de luta. Ainda no século XVIII onde Olympe de Gouges, em 1791, lança a "Declaração dos Direitos da Cidadã", onde reivindicava o "direito feminino a todas as dignidades, lugares e empregos públicos segundo suas capacidades". Afirmava também que "se a mulher tem o direito de subir ao cadafalso, ela deve poder subir também à tribuna" (http://www.redemulher.org.br/8demarco.htm).
Já no século XIX, A Revolução Industrial levou a um aumento absurdo da jornada de trabalho e a luta pela redução desta jornada para 8 horas diárias passou a ser a grande bandeira de luta dos trabalhadores e trabalhadoras da indústria. Então em 1819, depois de um momento de enfrentamento e de violência policial, que chegou a usar canhões contra os trabalhadores e trabalhadoras, a Inglaterra chegou a aprovar uma lei que reduziria para 12 horas o trabalho das mulheres e dos menores entre 9 e 16 anos.
Mas a luta ainda não havia acabado só estava começando! Nos Estados Unidos, um grupo de tecelãs, na cidade de Nova Iorque, na busca de conquistas semelhantes a das companheiras inglesas, inicia uma série de manifestações pela redução da jornada de trabalho. São 129 tecelãs da Fábrica de Tecidos Cotton, elas cruzam os braços e param suas atividades pelo direito de trabalharem 10 horas diárias. É a primeira greve nos Estados Unidos que é conduzida unicamente por mulheres.
O resultado? Mulheres reprimidas com violência pela polícia, e para fugirem de tal ação descabida, se refugiam nas dependências da fábrica. Então no dia 8 de março de 1857, os empregadores e a polícia truculenta, fecham as portas da fábrica e ateiam fogo com as mulheres dentro. As tecelãs morrem asfixiadas e carbonizadas.
No Início do Século XX, uma ativista feminina (Clara Zetkin) propõe um dia para marcar mundialmente a luta pela conquista dos direitos da mulher, tendo como inspiração as tecelãs de Nova Iorque. É o início desta data que hoje “comemoramos”.
Mas relembro esta história para apenas trazer a tona o que motivou um dia internacional de luta pelo direito da mulher. Que foi transformado por uma sociedade consumista em DIA DA MULHER. Bem diferente a entonação: de Dia de LUTA, para o dia “da”.
Esta pequena mudança traz implicações ideológicas gravíssimas. Não se fala mais em luta, em conquistas, ou não se discute mais a exploração do trabalho feminino, ou a discriminação da mulher no mercado de trabalho, especialmente as profissões marcadas como “de mulher” (um erro histórico terrível). O Dia da Mulher é uma data comercial. Neste dia se entregam flores às mulheres (o mercado superfatura as rosas nesta semana), se sugere presentear às mulheres com joias, cestas de café da manhã e todos os tipos de bens de consumo. O dia de luta transformou-se em mais uma data comercial. É como o “dia da noiva”, uma data para comemorações não pelas conquistas sociais e luta por mais conquistas e direitos, mas um dia para se consumir. Lastimável!
“Parabéns Mulheres! Vocês estão ocupando os espaços antes exclusivos de homens, como os campos de futebol”. Esta foi uma das chamadas de uma rede de televisão nacional, para mostrar os “espaços” alcançados por mulheres. Por trás desta ocupação de espaço: mercado consumidor.
Confesso que esta abordagem deste dia me cansa, me desanima, me entristece. E tenho estes sentimentos, porque um grupo minoritário (homens), vem há séculos ditando o comportamento da maioria (isto é a falada ideologia), e consegue mudar o foco das lutas sociais.
É assim com o Dia de luta das mulheres, é assim com o direito à terra dos indígenas, com a Reforma Agrária, com a luta de quilombolas, com os trabalhadores, com grupos religiosos etc. Sempre transformando o que é motivo de reflexão e luta em algo banal. É o processo de banalização das lutas sociais. Ou quem sabe de idiotização do povo. Quanto mais idiota o povo, mais consumista, menos crítico, mais dócil, menos participativo.
Não sei sinceramente como me comportar neste dia. Se chego em um lugar com mulheres reunidas e não dou “feliz dia da Mulher”, sou chamado de insensível, de machista etc. Se me curvo a ideologia dominante masculina e dou parabéns, entrego flores, mando cartões virtuais com mensagens em Power Poit, estou indo de encontro a toda uma história de luta de milhões de mulheres que no silêncio de uma vida opressa, lutaram para que hoje pudéssemos refletir sobre isso.
Diante da minha incerteza, “Eu fico com a pureza das respostas das crianças: É a vida! É bonita e é bonita! Viver e não ter a vergonha de ser feliz” (Gonzaguinha).
Abraços a todas e a todos vocês, mulheres homens que ainda acreditam que com a luta, a reflexão e a participação popular podem mudar atitudes, comportamentos, homens e mulheres.
Abaixo um vídeo que gostei muito e compartilho com vocês.
@Zerominho
Curioso como sempre fui, dizem que uma característica do pesquisador é a curiosidade (então desde criança tento ser pesquisador), procurei entender o que significava o dia 8 de março, e porque um dia específico “dedicado” as mulheres.
Interessante que o “Dia da Mulher” começa como momento de luta. Ainda no século XVIII onde Olympe de Gouges, em 1791, lança a "Declaração dos Direitos da Cidadã", onde reivindicava o "direito feminino a todas as dignidades, lugares e empregos públicos segundo suas capacidades". Afirmava também que "se a mulher tem o direito de subir ao cadafalso, ela deve poder subir também à tribuna" (http://www.redemulher.org.br/8demarco.htm).
Já no século XIX, A Revolução Industrial levou a um aumento absurdo da jornada de trabalho e a luta pela redução desta jornada para 8 horas diárias passou a ser a grande bandeira de luta dos trabalhadores e trabalhadoras da indústria. Então em 1819, depois de um momento de enfrentamento e de violência policial, que chegou a usar canhões contra os trabalhadores e trabalhadoras, a Inglaterra chegou a aprovar uma lei que reduziria para 12 horas o trabalho das mulheres e dos menores entre 9 e 16 anos.
Mas a luta ainda não havia acabado só estava começando! Nos Estados Unidos, um grupo de tecelãs, na cidade de Nova Iorque, na busca de conquistas semelhantes a das companheiras inglesas, inicia uma série de manifestações pela redução da jornada de trabalho. São 129 tecelãs da Fábrica de Tecidos Cotton, elas cruzam os braços e param suas atividades pelo direito de trabalharem 10 horas diárias. É a primeira greve nos Estados Unidos que é conduzida unicamente por mulheres.
O resultado? Mulheres reprimidas com violência pela polícia, e para fugirem de tal ação descabida, se refugiam nas dependências da fábrica. Então no dia 8 de março de 1857, os empregadores e a polícia truculenta, fecham as portas da fábrica e ateiam fogo com as mulheres dentro. As tecelãs morrem asfixiadas e carbonizadas.
No Início do Século XX, uma ativista feminina (Clara Zetkin) propõe um dia para marcar mundialmente a luta pela conquista dos direitos da mulher, tendo como inspiração as tecelãs de Nova Iorque. É o início desta data que hoje “comemoramos”.
Mas relembro esta história para apenas trazer a tona o que motivou um dia internacional de luta pelo direito da mulher. Que foi transformado por uma sociedade consumista em DIA DA MULHER. Bem diferente a entonação: de Dia de LUTA, para o dia “da”.
Esta pequena mudança traz implicações ideológicas gravíssimas. Não se fala mais em luta, em conquistas, ou não se discute mais a exploração do trabalho feminino, ou a discriminação da mulher no mercado de trabalho, especialmente as profissões marcadas como “de mulher” (um erro histórico terrível). O Dia da Mulher é uma data comercial. Neste dia se entregam flores às mulheres (o mercado superfatura as rosas nesta semana), se sugere presentear às mulheres com joias, cestas de café da manhã e todos os tipos de bens de consumo. O dia de luta transformou-se em mais uma data comercial. É como o “dia da noiva”, uma data para comemorações não pelas conquistas sociais e luta por mais conquistas e direitos, mas um dia para se consumir. Lastimável!
“Parabéns Mulheres! Vocês estão ocupando os espaços antes exclusivos de homens, como os campos de futebol”. Esta foi uma das chamadas de uma rede de televisão nacional, para mostrar os “espaços” alcançados por mulheres. Por trás desta ocupação de espaço: mercado consumidor.
Confesso que esta abordagem deste dia me cansa, me desanima, me entristece. E tenho estes sentimentos, porque um grupo minoritário (homens), vem há séculos ditando o comportamento da maioria (isto é a falada ideologia), e consegue mudar o foco das lutas sociais.
É assim com o Dia de luta das mulheres, é assim com o direito à terra dos indígenas, com a Reforma Agrária, com a luta de quilombolas, com os trabalhadores, com grupos religiosos etc. Sempre transformando o que é motivo de reflexão e luta em algo banal. É o processo de banalização das lutas sociais. Ou quem sabe de idiotização do povo. Quanto mais idiota o povo, mais consumista, menos crítico, mais dócil, menos participativo.
Não sei sinceramente como me comportar neste dia. Se chego em um lugar com mulheres reunidas e não dou “feliz dia da Mulher”, sou chamado de insensível, de machista etc. Se me curvo a ideologia dominante masculina e dou parabéns, entrego flores, mando cartões virtuais com mensagens em Power Poit, estou indo de encontro a toda uma história de luta de milhões de mulheres que no silêncio de uma vida opressa, lutaram para que hoje pudéssemos refletir sobre isso.
Diante da minha incerteza, “Eu fico com a pureza das respostas das crianças: É a vida! É bonita e é bonita! Viver e não ter a vergonha de ser feliz” (Gonzaguinha).
Abraços a todas e a todos vocês, mulheres homens que ainda acreditam que com a luta, a reflexão e a participação popular podem mudar atitudes, comportamentos, homens e mulheres.
Abaixo um vídeo que gostei muito e compartilho com vocês.
@Zerominho
Assinar:
Postagens (Atom)




